Enviado por William Alves emSérie A2 2010 | 10 Comentários
São Bento 1 x 1 Atlético Sorocaba
por William Alves

Ontem era ‘o’ dia. Depois de muito tempo, chegamos ao dérbi com chances reais de ganhar da turma do Reverendo pela superioridade técnica, sem ter que contar com um golpe de sorte.
Tal sensação foi captada pela torcida, que lotou o CIC, relembrando os bons tempos. Até mesmo o barranco voltou a ser tomado pelos são-bentistas.
Bastava jogar o que se sabia, não dar aquelas bobeadas que já viraram tradição nesta A2 e sair de campo com os três pontos.
A escalação, se não foi das melhores, ao menos trouxe a boa notícia de que Ortiz começaria entre os titulares. Enfim, um meia de ligação.
Tudo ao contrário: muitos jogadores deixaram a desejar e mais uma vez os vacilos comprometeram. A sorte é que os atacantes adversários não são um primor, caso contrário teríamos perdido, talvez de goleada.
Com uma zaga nervosa, Felipe Blau entregando (pra variar) todas na esquerda e um ataque inoperante, mais uma vez o jogo ficou bom pro adversário.
A torcida, que cantava sem parar desde antes da partida, foi murchando. O time não empolgava, preocupava.
Cléber entregou uma bola de graça para o adversário, dentro da pequena área. O frio percorreu a espinha. Sorte que o patético atacante não converteu.
Mas os vacilos continuavam. O mala Luan fazia a festa nas costas de Marcos Alexandre.
Foi questão de tempo: o atacante da seita pegou a bola no meio do campo, passou pelo volante, driblou Vizotto, já fora da área e marcou.
Daí pra frente foi só tensão. O São Bento tentou responder e foi pra cima, mas deixou a zaga aberta.
A cada contra-ataque o coração parava de bater. Que sufoco!
A alegria só viria no finalzinho do primeiro tempo, com o gol de Júlio Madureira, aproveitando vacilo do sistema defensivo adversário após cobrança de escanteio primorosa de Ortiz.
Madureira que pouco tempo depois seria expulso por participar de uma confusão iniciada pelos dois Fabianos, o do Bentão (que ontem não fez nada, além de arrumar essa briga) e o Santos, do Reverendo, que também levou vermelho.
O segundo tempo vinha com a esperança de que o time, mais uma vez, pudesse conquistar a virada. Só não esperássemos que a falta de inspiração também tivesse afetado o banco. Zé Luís foi extremamente infeliz em suas substituições.
Com a expulsão de Marcos Alexandre, a solução encontrada pelo treinador foi tirar um homem da frente e colocar Marcão, pra recompor o sistema defensivo. Perfeito.
Só não poderia ter tirado o Ortiz, que era quem criava as jogadas e comandava o meio-de-campo, segurando a bola, cadenciando o jogo e fazendo aquela catimba que só os hermanos sabem fazer e que é essencial em um dérbi.
Poderia ter tirado Pablo e Fabiano, que estavam apagados e o time ainda continuaria com dois atacantes sendo municiados por Ortiz, mas ele preferiu acabar com a criação do time.
Depois disso, o ataque que já produzia pouco, afundou de vez. Fabiano começou a buscar bola fora da área e deu início a um show de horrores.
Disputada a metade do segundo tempo, ficou evidente que o time se satisfez com o empate.
Com um a menos, pode-se pensar que foi um bom resultado. Mas um pouquinho mais de ousadia e poderíamos sair de campo com a vitória.
O resultado não preocupa tanto quanto os sinais que ficaram visíveis: o time não se comportou bem com a pressão de uma partida importante, com arquibancada lotada; e, principalmente, o comando da equipe se mostrou acovardada diante das dificuldades.
Torço para que esse espírito mude, senão teremos fortes emoções para se classificar.
Aqui é São Bento! O espírito tem que ser vencedor.
Como diz o nosso hino “…Quando bem fizeste / ensinando a ganhar / na emoção mais alta da porfia,
/ no calor da simpatia / de quem já te viu jogar”.
Quando a porfia fica quente é que o nosso futebol tem que aparecer.
Destaque positivo para Rodrigo Dias, que foi um dos mais lúcidos em campo. Marcou e atacou com equilíbrio. Estava com o espírito do dérbi encarnado.
Destaque negativo para Zé Luís, pelos motivos expostos acima, e para Pablo, que teve uma das atuações mais apagadas desde sua estreia pelo alvi-celeste, inclusive perdendo um gol frente-a-frente com o goleiro do Reverendo que poderia mudar a história do jogo.






















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