Enviado por William Alves emConfrontos, História | 0 Comentário
Viva Zumbi!
Hoje é Dia da Consciência Negra, data em que se celebra Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra à escravidão, que começou logo depois da chegada dos portugueses e só terminou (oficialmente) há pouco mais de 200 anos.
O oficialmente entre parênteses é para lembrar que, ainda hoje, o trabalho escravo ainda é uma triste realidade no Brasil. Se antes eram os negros vindos da África, hoje são os bolivianos que trabalham dia e noite atrás de uma máquina de costura e nada recebem por seu suor. São os nordestinos que, fugindo da seca, vão trabalhar como cortadores de cana em troca de comida.
Somente de janeiro a setembro deste ano, 2.568 trabalhadores foram resgatados em condição de escravidão, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.
A exploração de pessoas e o racismo também são marcas presentes no futebol.
A exploração acontece predominantemente nas categorias de base. Aqueles jovens que sonham em serem os craques de amanhã, com salários milionários, se aventuram em clubes que não oferecem estrutura alguma. Seu futuro fica comprometido: a alimentação é ruim, não são dadas chances de completar os estudos, as condições de alojamento são precárias. Muitas vezes, nem recebem algum tipo de ajuda de custo. Estão ali somente em troca da péssima alimentação, do horrível alojamento e da ‘chance’ que o clube representa.
Chance esta que também é válida para o clube. A chance de lucrar na venda daquele pé-de-obra.
Qualquer coincidência com a situação dos jovens que representaram o São Bento no Paulista sub-20 não é mera coincidência.
Já o racismo no futebol é o reflexo do racismo na sociedade. Basta lembrar que no ano em que o Sorocaba Athletic Club mudou o seu nome para Sport Club São Bento, 1914, a presença de negros em times de futebol era um tabu. No Rio de Janeiro, apenas o Bangu tinha negros no time.
Uma década depois, o debate era se os negros deveriam ser convocados para a seleção brasileira.
Ainda hoje o racismo se manifesta dentro e fora das quatro linhas. Apesar do número de jogadores negros nos clubes, as ofensas racistas, seja por parte de jogadores ou de torcidas só fazem aumentar.
Para finalizar, o relato de um momento curioso da história do São Bento que tem tudo a ver com o tema: em 1940, foi realizada uma partida entre negros e brancos no estádio Humberto Reale (que naquela época ainda não tinha esse nome, era conhecido apenas como ‘estádio do São Bento’).
A foto abaixo mostra o time dos brancos e a arquibancada do estádio lotada.

Curioso é constar que na imagem aparece apenas um negro, no canto direito, quase escondido.
O time dos brancos foi formado por (na ordem em que aparecem na foto, da esquerda pra direita): Milton, Cal Cal, Arthur, Padeiro, Afonsinho, Oberdan Cattani, Oswaldo ‘Buchero’, Dieguito, Lolo, Maracal, Oswaldo ‘Boituva’ e Domingos Metidieri Filho.
Muito provavelmente o time era um misto de São Bento e outros clubes da cidade. Maracal foi artilheiro do Estrada e depois jogou no Fluminense/RJ. A imagem é história também por retratar o goleiro Oberdan com a camisa do São Bento, antes de se tornar um dos maiores nomes da história do Palmeiras.
Sobre a foto do time dos negros, não se tem notícia.
Façamos que nossa voz cale a dos racistas!




















