ago 9, 2009

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Importante para quem?

POR RENAN BISMARA

Começou neste final de semana o Campeonato Paulista Sub 20, primeira divisão. Com o escopo oficial de ajudar a revelar novos talentos e, assim, ajudar os clubes e seus falidos caixas, o torneio conta com o apoio irrestrito das pessoas que mais saem lucrando hoje no mundo da bola: os empresários.

Não há bilheterias ou contrato de parceria no Brasil que supere as cifras obtidas pelos terceiros interessados nas transferências de jogadores quando esta se concretiza. Chegamos num cenário que é no mínimo curioso. Imitando a doutrina que diz possuírem algumas multinacionais gigantescas tanto poder ou mais que a maioria de governos nacionais, os empresários e seus interesses parecem reger as escondidas o alto escalão de clubes e federações de futebol. E quem sofre com esta interferência indesejada são os próprios clubes num primeiro momento e depois os fanáticos torcedores que se permitem idolatrar um jogador com passagem de meses apenas nas suas equipes. Eu, torcedor de arquibancada, não me machuco tanto com algumas desilusões, faz parte do futebol. Pior para as entidades do futebol, uma vez este processo ser bem mais penoso e degradante para elas.

Mas onde entra o nosso alviceleste nesta história? O Esporte Club São Bento, time que atualmente disputa como única competição oficial da sua equipe principal um campeonato estadual da segunda divisão, apresenta todos os sintomas de um clube que está correndo para a extinção: plantel sazonal, deficiente estrutura básica para seus temporários atletas, instabilidade política e estatutária, inexistência de planejamento em médio prazo e caixa degradado. É doloroso demais dizer, mas é o retrato do clube sorocabano. Tudo começa e tudo termina na falta de dinheiro. Sem dinheiro, não formamos estrutura e nem equipe vitoriosa. Sem uma equipe vitoriosa, títulos, glórias e notoriedade ficam escassas. A ausência de resultados gera mais rombo aos combalidos cofres e assim o ciclo continua.

Uma das soluções para acabar com esse ciclo vicioso seria investir na venda de jogadores. A base surge como salvação. Porém é nesta mesma solução, na raiz da esperança que os empresários agem. A nossa solução fora simplesmente “emprestada” para os gloriosos agenciadores de atletas exporem suas mercadorias, sufocando um dos únicos escapes da situação trágica financeira em que se encontra o alviceleste. Logo, esta competição que parece reascender o amor dos mais fanáticos apoiadores do Azulão, na verdade enche os bolsos daqueles que não vêem a hora de receber uma ligação do leste europeu para fazer o seu “pé-de-meia” mais feliz.

Caso esta mórbida rotina continue por mais tempo, não há gestão futura que cure a ferida aberta em décadas e que só vem se agravando nos dias de hoje. É vendo casos como este da nossa base que fico cada vez mais cético numa virada de mesa na história do quase centenário representante sorocabano do futebol. Solução há e pessoas dispostas a pô-las em prática também, porém sem a cooperação dos atuais administradores nada disso parece ser possível. Espero que quem realmente goste deste clube saiba qual a sua devida parcela de contribuição para este cenário atual. E os que não gostam, que saiam do comando com toda a vergonha e desprezo que sinto como torcedor do Esporte Club São Bento de Sorocaba.

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