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1932: o ano em que taças viraram munição


O próximo feriado que o calendário indica é 9 de julho, data que relembra a Revolução Constitucionalista de 1932. Feriado não, feriadão, afinal vai cair numa quinta-feira e vai permitir aquela esticada.
Mas que tal revolução foi essa?
O movimento armado, iniciado no dia 9 de julho de 1932 (daí a data) visava derrubar Getúlio Vargas da presidência da República. O mesmo Getúlio que havia chegado ao poder também por meio de uma “revolução”, em 1930. Revolução entre aspas porque o que houve, na realidade, foi um golpe de estado.
A revolução foi chamada de Constitucionalista pois os paulistas também queriam a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil. Foi um movimento da oliarquia paulista, uma vez que Getúlio Vargas havia acabado com a política do café com leite, que durante décadas revezou na presidência paulistas e mineiros. Barões do café paulistas, seguidos por barões mineiros do leite. E vice-versa.
O movimento mobilizou a burguesia e a classe média paulistas. Os trabalhadores não se envolveraram muito na disputa, uma vez que não entendiam o que estava em disputa: uma constituição e a briga da oliguarquia paulista para voltar ao poder.
Mas o que o São Bento tem a ver com isso?
No livro “Salvadora!”, o historiador Carlos Cavalheiro lembra que em Sorocaba a população (menos os operários) também se mobilizou. “A colônia espanhola realizou um espetáculo (…) cuja bilheteria foi destinada à causa paulista. Também a mesma colônia, através da empresa André Asensio & Irmãos, arrecadou alimentos, roupas e dinheiro para o triunfo da Revolução”, descreve.
Uma parte dessa história elucida o “desaparecimento” dos troféus da fase amadora do São Bento: o autor afirma que, juntamente com outros clubes de futebol da época como o Esporte Clube Savóia, de Votorantim, o extinto Guarany Futebol Clube, o São Paulo Junior, o Sport Club Sorocabano, o Sorocaba-Paulista (reunidos), o São Bento doou “suas gloriosas taças angariadas em diversos campeonatos. Esse material foi doado para o Material Bélico das Forças Constitucionalistas: virou munição.”
Um representante do movimento, chamado João Genésio de Luca, esteve em Sorocaba arrecadando “utensílios imprestáveis de metal”. Os troféus do São Bento foi na carga, acompanhado de brincos de ouro, pratarias e outros itens de cobre, zinco, chumbo e latão doados pela população.
Apesar de tamanho apoio, São Paulo se renderia pouco tempo depois, não suportando os ataques das tropas federais. A guerra da oligarquia paulista não durou três meses, mas levou consigo mais de uma década e meia de história do São Bento.






















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