Enviado por William Alves emBastidores | 1 Comentário
Já vi essa história antes…
“Para o São Bento é tudo mais difícil. O alvi-celeste sempre se vê obrigado a trilhar os caminhos mais tortuosos. (…)
Poucos ajudam o São Bento e olhem o grande número de indústria que Sorocaba possue e o seu comércio que é um dos pricipais desta vasta região do Estado. Houvesse uma colaboração por parte de todos e o São Bento estaria hoje numa situação invejável (…)
Não é de hoje que os dirigentes do E.C. São Bento apelam para a indústria e comércio da cidade no sentido de que contribuam para tornar o Azulão um grande clube (…). Mas, até agora os diretores continuam pregando no deserto. Ninguém responde ao apelo do São Bento.”
Esse texto poderia estar nos jornais de hoje que ninguém iria estranhar, mas não está. Ele foi publicado pelo “Diário de Sorocaba” há quase 28 anos, na edição do dia 5 de fevereiro de 1981 (foto da página abaixo do título do post).
O que está no “Cruzeiro do Sul” de hoje é:
“Sem ainda ter conseguido fechar os patrocínios que almeja para manter a equipe na Série A2, o presidente voltou a ameaçar a abandonar a competição. “Vou levando até onde der. Caso a cidade não ajude a manter o time, não será possível chegar ao final da A2. Infelizmente, mágica não dá para fazer”, declarou David Ferrari.
De acordo com o presidente, as parcerias formalizadas até o momento não representa nem um quarto da verba necessária para a disputa do campeonato. “Estou aguardando o retorno de diversas empresas, mas está difícil”, completou.”
Quase trinta anos entre uma matéria e outra, mas o discurso é o mesmo. A diretoria quer que “a cidade ajude a manter o time”.
Interpreto o apelo com dois possíveis sentidos: primeiro, que diretoria pretende que as empresas da cidade dêem dinheiro para o clube a “fundo perdido”; ou que a Prefeitura gaste os recursos do orçamento público para manter o clube.
A primeira interpretação é irreal no atual momento de crise financeira. A empresa que investe quer retorno. Se fosse apenas uma questão de “amor ao São Bento” os vários empresários que são conselheiros do clube estariam assinando cheques. Mas não é assim.
Para o São Bento ser atrativo para os investimentos é necessária uma profunda reorganização de sua estrutura, com planejamento e seriedade na sua condução.
A segunda interpretação é impensável. Retirar recursos de áreas essenciais da administração pública como saúde, educação e saneamento para repassar para um clube de futebol, uma entidade privada, seria uma imoralidade para o Poder Público e uma coisa vergonhosa para o São Bento.
Por mais que o clube seja um “patrimônio” da cidade, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Esportes, deve fazer o seu papel que é o de incentivar a prática esportiva. Deixe os dificuldades das entidades particulares para os seus responsáveis.
Até porque o atrelamento do clube com a Prefeitura pode vir a criar situações constrangedoras. Na verdade já criou, como a placa colocada atrás do banco de reservas do CIC logo após as eleições:

Nós, os torcedores, temos que nos organizar para que daqui há 30 anos os jornais estejam publicando notícias de outro tipo sobre o São Bento.
E é sobre a participação do torcedor na vida do clube que vou falar no próximo texto.
Conto com sua opinião nos comentários.





















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